O Dia do Pulo: net.Art para as massas!
A mentira
O dia 20 de julho de 2006 pode ser lembrado por nós como o Dia Mundial do Pulo (World Jump Day). As 08:39:13, horário de Brasília (11:39.13 UTC), aproximadamente 600 milhões de pessoas pularam ao mesmo tempo. As informações iniciais, divulgadas inicialmente pelo site do evento, e depois pelos milhares de blogs pela internet, eram de que consistia em um evento organizado com o objetivo de diminuir o aquecimento global, através de uma mudança na órbita da Terra. O site mostrava a teoria de um grupo de cientistas alemães, liderados por Hans Peter Niesward, membro do Instituto de Física Gravitacional de Munique. Segundo a teoria, se 600 milhões de pessoas do hemisfério ocidental pulassem ao mesmo tempo, a órbita do planeta seria desviada, e com isso n problemas ambientais seriam resolvidos. A história circulou na internet, e segundo os dados do site (ok, talvez sejam bem exagerados ou até mesmo, bem mentirosos), 598 milhões de pessoas, mais de metade do total de internautas, pularam ao mesmo tempo.
Era uma história louca demais para não chamar nossa atenção. E talvez por ser louca demais, pareceu ser real. “Sometimes true is stranger than fiction�?. Eu pulei.
A mentira original
A idéia original veio do livro Fora dos Eixos, do escritor Julio Verne (esse mesmo, que também escreveu Vinte Mil Léguas Submarinas, A volta ao mundo em oitenta dias, entre outros que você deve ter lido na mais tenra infância).
Na história, os amigos Barbicane e Maston desenvolvem um plano para estabilizar o clima do planeta, acabando com as estações climáticas, e desta forma, descongelando parte do Polo Norte e dando acesso às reservas de carvão ali existentes. Porém, ao invés de pulos, os personagens decidem concretizar o plano através de um tiro de canhão gigantesco. Resumindo, é ficção atrás de ficção, fantasia atrás de fantasia, idéias loucas atrás de idéias loucas, motivo esse que talvez nos leve à suspensão da descrença e crie uma imersão na história.
As “verdades”
Hans Peter Niesward, “na verdade”, era o artista alemão Torsten Lauschmann. O site e todo o evento não passavam de uma grande pegadinha. Uma trapaça. Uma mentira. Para falar uma verdade.
Usar mentiras para falar verdades. Onde que eu já li isso antes? Inicialmente, no filme V de Vingança. Depois num post deste mesmo blog. “O artista usa mentiras para falar verdades�?.
Podemos conceber toda essa história, pelo menos de dois pontos de vista:
- Um hoax
(…) um vírus social, que utiliza a boa fé das pessoas para se reproduzir, sendo esse o seu único objetivo (..)
- Uma net.Art
Arte que usa a internet como meio e que não poderia ser experienciada de outra forma. Arte para hipermídia
Um hoax ou simplesmente, um boato na internet, como podemos ver através da definição retirada do wikipedia, tem o objetivo único de se reproduzir. É um brincadeira, as vezes de mau gosto, mas não passa disso. Uma mentirinha. Já a arte, de modo geral, usa mentiras para falar verdades. E é aí que se encontra a diferença entre uma simples mentira e uma mentira artística. Na arte, a mentira é o meio, não o fim, como nos hoaxs.
Através desta mentira, podemos ver algumas verdades sobre nós mesmos? Engajamento, responsabilidade, nossas intenções e desejos? Se a resposta for afirmativa, podemos concluir que o Dia do Pulo foi, sem dúvida, uma obra de arte. Se a resposta for negativa, simplesmente ignore toda essa história. A definição do que é ou não uma obra de arte varia principalmente de acordo com a interpretação do “receptor” (inserido em determinada cultura), por isso, não posso falar das suas verdades trazidas através das mentiras, apenas das minhas.
Citar a si mesmo duas vezes no mesmo texto deve ser pecado em várias religões, mas mesmo assim:
“a principal característica das obras de net.Art é a de explorarem propriedades da hipermídia, como não-lineariedade, participação, colaboração em rede, descentralização, imersão, metamorfose, navegação etc. Justamente por tal fato, falamos das obras de net.Art mais como um processo do que como um resultado”
Podemos dizer que o Dia do Pulo explorou tais propriedades da hipermídia, sendo desta forma uma net.Art? Foi mais como um processo do que uma obra finalizada, uma vez que a obra exigia a participação ativa do “outro lado” da comunicação. Foi uma obra participativa, uma vez que quem fez grande parte da obra (desde a transmissão viral da mentira, até os pulos) foram os “usuários”, ou seja, sem a interação ativa dos internautas a obra nem exisitiria, ou não teria efeito nenhum. Ela explorou a colaboração em rede, uma vez que, com boas intenções, milhares de internautas divulgaram o tal dia.
A obra usou a internet como meio não apenas de divulgação (sobre arte) ou documentação (arte na internet), mas de modo que sem ela, não poderia ser realizada (arte para ou pela internet). net.Art para as massas…
Enquanto isso…
Até o dia 24/09, “ficará em cartaz�? a exposição emoção art.ficial 3.0 no Itaú Cultural. Sobre interfaces cibernéticas e interatividade.

August 4th, 2006 01:51
O Dia do Pulo
nice..
August 19th, 2006 01:32
Hey cara.. faz tempo q eu nao apareco.. XD
muito bom esse negocio aê… mas nem fiquei sabendo do tal dia do pulo… =]
mto interessante seu paralelo d net.Art com hoax… ^^
flwz
[]’s
August 29th, 2006 01:05
Valeu Rochester! Tô meio sem tempo pra escrever mais, mas tenho acompanhado direto o teu blog. Parabéns! Tá ficando muito bom mesmo!
[]s!